Em meio a uma tarde de domingo, eu aqui sentada em frente ao computador, olhando pela janela o balançar dos galhos verdes e robustos das plantas da minha vizinha pela força do vento, tento bolar algo diferente para escrever por aqui e que de fato seja algo novo. Tento me concentrar, mas está cada vez mais difícil e ao olhar o meu reflexo nos vidros da janela, tento entender porque tudo parece tão vazio. Parece que por um momento, a minha vida congelou numa dimensão de tempo e espaço.
Borboletas no estômago?! Não, não sinto mais. E não sei a quem estou querendo enganar com pseudo-expectativas que na verdade não me fazem a menor a diferença ou tem insignificante importância. Estou enganando a mim mesma com algo que eu realmente não acredito. E - sinceramente?! - não tenho porque insistir em uma história tão insossa. Talvez seja uma tentativa de me provar que ainda estou viva e que, talvez, seja possível bater algo aqui dentro por alguém. Ou talvez, seja uma tentativa de me distrair de erros e desastres anteriores que me fizeram perder a vontade de tentar de novo ou de acreditar que de fato existem finais felizes. O fato é que, seja por um motivo ou por outro - e muito provavelmente pelos dois - , já não funciona mais da mesma maneira. Já não acredito como outrora fazia. E o pior de tudo é que, quanto mais tento me afastar desse ritmo cíclico de enganos e desilusões, mais eles me puxam para perto de si. Força centrípeta.
Cansaço, muito cansaço. De tudo. Trabalho, correria, estudos, tristeza, solidão e deseperança. As vezes me sinto uma bomba-relógio, prestes a explodir a qualquer toque ou esbarrão. É, eu tenho picos de altos e baixos, e depois voltam a constância. Mas ultimamente é cada vez mais difiícil manter a regularidade. É realmente um cansaço geral. Mental, físico, psicológico, sentimental e - por que não - moral?! Pior do que ter questões que não conseguimos responder são questões que, mesmo sem respostas, se dissipam no ar. Porque realmente não me importa mais. Chega uma hora que cansa se preocupar demais com tudo e com todos. Tem horas que a gente espera a recíproca né?! Espera desnecessária.
Mas a gente vai levando. Por mais fraca que esteja, a Alice dentro de mim é forte, determinada e esperançosa. Ela me faz seguir de cabeça erguida, com um sutil sorriso no rosto (o que implica uma covinha) e agarrada a um gasto e resistente fio de esperança de que um dia ficará tudo bem. Um dia. Enquanto isso, eu continuo a olhar as plantas pela minha janela, o céu azul e com poucas nuvens de um domingo, sinto a suave brisa que passa por mim e respiro forte e profundamente. Um dia, quem sabe, um dia.
1 comment:
Deixar passar e assumir a condição humana de bicho solitário (que somos) ou apostar alto e depois querer a grana de volta (porque sempre queremos a grana de volta, no fim das contas)?
Não dá p/ saber
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