É engraçado como alguns posts que
escrevo aqui parecem ter mais impacto sobre as pessoas do que imagino. O ultimo post - que julgava suscitador em potencial de discussoes - não foi tão debatido como o post de minha atemporalidade ou certo despego do convencional tempo do homem.
Acredito que isso aconteça não porque as pessoas já sabiam desse meu não-desejo de me casar em igreja católica, ou qualquer outra instituição religiosa. Mas pelo fato de o desejo de atemporalidade ser um pulsar latente da sociedade em que vivemos. O bombardear de informações, de imperativos e de situações que nos compelem a lógica consumista neoliberal faz muito de nós questionarmos essa ordem do imediato, do fulgaz, do instável e do passageiro em busca de algo que realmente venha a nos acrescentar, nos construir e refletir sobre a nossa característica inerente de seres racionais e sociais.
Contestar o atual é dificil e encontra sempre obstáculos e preconceitos dos que não entendem nossa angustia e vazio frente uma sociedade tão supérflua e materializante como a nossa. Quantas vezes gerei - e percebi - o estranhamento dos amigos por não desejar o carro do ano, não fazer questão de frequentar os lugares da moda, não me preocupar com roupas jóias e acessórios e enfins... Claro, não sou um eremita. Mas o que prego aqui não é o isolamento do círculo em que vivemos, mas sim o seu questionamento. Por que somos impelidos a consumir sempre? Como se dão nossas relações com os demais?! Como se conhece de fato uma pessoa, qual o sentido de nossas ações?
A verdade absoluta dessas respostas não existe, nem nunca existirão pois ao contrário de que muitos pensam, não existe verdade objetiva. Ela é resultado da construção de várias histórias e situações que se entrelaçam constantemente. O questionamento é saudável e imperativo e nos faz buscar uma nova óptica da realidade. E nos faz perder o olhar vicioso que somos induzidos a ter.
O que eu quero é enxergar além.
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