Mais um dia de trabalho. Mais um dia como os outros. Sentada próxima a janela, ela vê os carros passarem em meio ao caotismo regrado da cidade. Chove, como é de se esperar nesta época, motivo pela qual ela também aguardou alguns minutos antes de voltar para casa e evitar (mais) tempo tomado. Agora o que ela só quer é um bom banho e deitar na cama.
O pensamento, longe como sempre. Mas não apenas nele. Também em tantas coisas que a tem afligido por estes dias. Ela se sente pressionada, ameaçada, testada, desacreditada e sozinha. muito sozinha. As pessoas dizem que é muito cedo para sentir, afinal supostamente ainda tenho muitos anos pela frente, e é tudo uma questão de tempo. Ah, sim. é uma questão de tempo. Mas ela está cansada de ouvir sempre o mesmo discurso, as mesmas palavras e as mesmas pessoas. Claro que ninguém consegue entendê-la em sua essência. Uma conversa, uma palavra, uma crise, tudo a chateia e tem sido difícil esconder, pois já tem tanto coisa dentro dela. Tanta coisa que não se cabe mais em si. Tem vontade de gritar, de chorar de sumir. Tem vontade de ser outra pessoa.
A chuva aperta e é como se ela entendesse o que acontece. E como se ao mesmo tempo caísse para tentar limpar tudo o que tem corroído, que tem angustiado, que tem destruído e decepcionado e escorresse para o bueiro mais próximo. Mesmo depois de tudo o que aconteceu - e ela já entendeu a real situação - a imagem dele insiste em reaparecer na sua cabeça. O que foi, como é e como poderia ter sido. Já faz tempo, mas tem coisas que são atemporais. Nada é mais insignificante para ela do que o tempo.
Ao virar em sua rua, um momento de trégua dos céus. Já é noite e todas as luzes estão acesas. Com a chuva indo e vindo, ninguém se arrisca a sair agora. Mas para ela não tem importancia. O cabelo, a roupa, a mochila. Enfim. O único som que emite é o salto do sapato em contato com o asfalto, como se acompanhasse as batidas do desmotivado peito. As árvores arcadas. A brisa do vento úmido e uma respiração mais forte, como se para pedir mais forças ao desconhecido.
Ao chegar em casa, parece tudo ser dirtemante automático. Roupa, janta, banho. O que ela mais quer é alcançar a cama e dormir. E quem sabe sonhar com ele, em como poderia ter sido diferente. Sonhar para esquecer. But this time I as I, and not as we.
2 comments:
Ju, posso falar, é São Paulo que esgota a gente. Sai daí, vem pra cá, você vai ver a diferença! :)
as coisas não "poderiam ser". Elas são e essa é a mais cruel realidade. O que nos faz acordar todo dia e ser oq somos...isso "é"...e é a parte mais dificil. Esquecer é o melhor que fazemos pq simplesmente não depende de nós. Talvez ele tb viva com oq "poderia ser", mas pode ter certeza que o afeta muito menos...e isso, por mais paradoxal, te faz mais forte.
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