Semana difícil essa.
Muito trabalho e correria, mas talvez isso não tenha sido o lado mais problemático. Na verdade, acho até que foi o alívio. Me fez distrair da distração. Concentração zero. Para muitos pode ser desgaste, cansaço, ansiedade, nervosismo e afins. Mas eu sei que não é isso, pelo menos não diretamente.
De fato é cansaço, mas cansaço de teimosia. Porque é cada vez mais difícil conviver num ambiente que a todo momento suas virtudes são testadas, que a todo momento tentar fazer a coisa certa do jeito certo se mostra cada vez mais inútil. E eu poderia muito bem largar mão de tudo e mudar minhas atitudes e meu jeito de encarar determinadas situações, mas simplemesmente eu não consigo.
Em primeiro lugar, porque toda escolha é uma perda. E não sei se estou disposta a perder algo que fui durante toda minha vida por algo que eu nem sei ao certo o que é. Acho que só aceito a mudança quando tenho a certeza de que esta valerá a pena. Não que eu já saiba que vai dar certo, mas que pelo menos cabe a tentativa... e quem disse que a gente consegue saber essas coisas? Não, a gente nunca sabe.
Segundo, e decorrente do primeiro é que eu tenho medo. E segundo um texto que coincidentemente recebi de uma amiga querida (e vocês sabem que eu não acredito em "apenas coincidências"), Medo todo mundo tem. Porque o medo é um sentimento natural de quem está vivo e tem a função de alerta, de avisar o organismo de um perigo ou ameaça e provocar reações de proteção. E a todo momento eu tento me proteger, e evitar a possibilidade de erros e sofrimentos que me prenderam (ou prendem?!) ao passado. Pois Quem tem medo pensa em muros. Não importa se de concreto, para proteger nossas moradas, ou invisíveis, uma barreira entre nós e os outros. Com medo da violência abandonamos as ruas e procuramos abrigo em condomínios, apartamentos, shopping centers, carros blindados. Com medo do que o outro possa fazer, adotamos uma postura autodefensiva, desconfiamos antes de confiar, andamos para trás em vez de tentar.
E pensando nisso - e com a ajudinha do texto que se prolonga por demais medos - creio que cheguei a uma pequena epifania de onde realmente está meu problema: Confiança. Em primeiro momento, em mim e em minha capacidade de realizar e ser feliz. Em segundo, e a mais grave, nos outros. Desde sempre, o elemento norteador dos meus relacionamentos tem sido a confiança, e faço dela um termômetro. Quanto mais confio na pessoa, mais me envolvo com ela e mais me deixo envolver. E não falo apenas na confiança conjugal de fidelidade, como também da confiança na honestidade, na sinceridade, no companheirismo, na dedicação e na veracidade dos sentimentos e capacidade de se doar do próximo.
E fazendo uma avaliação de tudo que tenho até então, acho que cada vez mais meu índice de confiança está em queda. Não digo queda vertiginosa, pois é exagero. Mas cada vez mais que conheço a superficialidade das relações sociais, mais me desiludo de um dia encontrar algo que realmente me faça feliz e realizada. Confiança é um problema. E nos tempos de hoje é regra de ouro... queria poder confiar em tanta gente, queria tanto confiar mais em mim.
Mas além de desconfiada, já disse, sou teimosa. E enquanto eu acreditar que existe uma ínfima milionésima chance de poder ser feliz e verdadeira, é nisso que vou me agarrar. Até tudo estar - de fato - perdido...
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