Friday, April 06, 2007

Dos Sonhos de Valsa eu não abro mão.


Páscoa.
Para chocólatras de plantão, não existe época mais feliz do que esta. Um mundo de cores, sabores, cheiros, tamanhos e formatos. Para polianas de plantão, parece uma viagem direto ao País das Maravilhas...
E gozado, tenho uma relação curiosa com a Páscoa, devido a um "trauma" de infância.
Na minha família, temos muito o costume de incentivar a imaginação dos pequenos, de alimentar suas fantasias e fazer o dia deles um pouquinho mais coloridos. Seja Natal, dia das crianças, fada do dente e tudo mais... alimentamos sempre o coração das crianças. E Páscoa não podia ser diferente. A gente faz cestinha, sacolinha com chocolate, máscara de coelinho, pegadas de coelho com farinha pela casa e por aí vai.
Numa determinada Páscoa, não lembro minha idade, eu queria-porque-queria um ovo Galak (ou Lacta, também não recordo) - enfim, um chocolate branco - que estava suuuuper na moda e era relativamente raro de se encontrar. E princesinha como sempre fui, achava impossível de não ganhar o que havia pedido.
Mas a história não foi bem assim. Quando acordei no dia dos ovos, na minha cestinha não tinha Galak, não tinha Lacta e muito menos ovo. Tinha um embrulho, muito bonito de fato (rosa, obviamente), com muitos - leia-se MUITOS - Sonhos de Valsa. Senti meu mundo cair. Eu contava tanto com o meu ovo de chocolate branco. Senti vontade de chorar, mas ao mesmo tempo tive de me conter pois percebera a mesquinharia que seria tal atitude. nunca nada me faltara na minha família.
Saio do quarto, meio cabisbaixa, e dou de cara com meu vovô no corredor. ele vira-se para mim e: "E então, Sabiá?! O que o coelhinho trouxe para a princesinha?!". Eu, meio borocoxô, mostro minha enorme cesta de bombons. "Ah, mas são meus favoritos... Como ele foi generoso com você!!", dito isso, meu vô rouba um de meus bombons, me dá um abraço e um beijo na testa.
A partir daí, tudo mudou. Percebi como meu vô, sem querer, estava certo. A vida foi sempre tão generosa comigo, e não tenho do que reclamar. Sempre contei com tudo e com todos ao meu redor. Alguns tombos e deslizes acontecem, mas sempre tive forças para me levantar e continuar a vida.
Desde então, adoro a Páscoa. Mas não para ganhar ovos da Nestlé, da Lacta ou outros. agora a minha preferência são os caseiros, pois me remetem ao conforto, ao abraço, ao calor e ao cuidado humano. E faço questão de participar da brincadeirada dos meus priminhos, me faz voltar no tempo bom, na inocência, no sorriso sem preço e na simples alegria de viver a simplicidade da vida.

Já os Sonhos de Valsa.... aaahhhh, desses não abro mão!

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