Sunday, November 04, 2007

O Passado

Engraçada essa relação entre presente e passado na vida humana. Inclusive para os seus dois extremos: aqueles que negam de qualquer maneira a influência do passado em suas ações, e aqueles que se agarram de tal modo aos acontecimentos pelos quais se viram envolvidos, que o presente nada mais representa uma reprodução ou um prolongamento do passado.

Sociologicamente definido como um ser inerentemente social, o ser humano passa a ser produto dos elementos e acontecimentos por ele vivenciados, ou seja, por ele produzidos. A negação entre o homem e o seu passado, a meu ver, nada mais representa do que a negação de seu próprio existir e com isso, sua existência nada valeria como uma simples passagem de pequenas interferências, positivas ou não, relevantes ou não.

De outro lado, existem aqueles se prendem de maneira tão intensa ao seu passado que o fazem extensão de seu presente. E eu acho que, de maneira ou de outra, foi esse um dos pontos intencionados no novo filme de Hector Babenco (de mesmo título deste post) que, na minha opinião, exarcebou-se em alguns momentos, seja intencionalmente ou como mera casualidade. Para aqueles que se sentirem curiosos para saber minhas impressões sobre o filme, fica feito o convite para um posterior bate-papo. Mas esta não é minha questão.

De fato, somos a todo momento influenciados pelos atos e acontecimentos pelos quais passamos em nossa vida. Conscientes ou não. E é essa consciência que quero enfatizar. Perdendo a noção de que somos movidos - ok, não exclusivamente - por aquilo que construímos ou que nos fez construídos anteriormente, perdemos essa noção inicial de ator-espectador da história (micro e macro). A partir de então, tudo o que vivenciaremos passaria a se caracterizar como meros "fatos", sem que exploremos os pontos mais sutis de cada um. Deixaríamos de aprender com cada experiência e estaríamos presos ao nada. Ao acaso. Errantes da vida.

Principlamente nas questões amorosas, foco do filme de Babenco. Hoje, o conhecimento da outra pessoa com as quais nos envolvemos se reduz ao conhecimento físico, corpóreo e sexual. Bruto. Talvez com um vago conhecimento de vidas e expectativas, mas sempre baseado na angústia e na pressa de se obter resposta à carência e insegurança provocadas pelas frágeis relações sociais dos dias de hoje. A culpa não é só nossa, como indivíduos. Inseridos numa sociedade de massa, de consumo, da busca de prazeres imediatos, da constante mudança, da efemeridade, da banalização dos sentimentos e relacionamentos, fica cada vez mais difícil nadar contra a maré. Para eles que ainda o insistem em fazer (ok, fica aqui a pitada confessional do post), sugiro construirem um casco bem resistente. Porque vai ser paulada, atrás de paulada. Decepção atrás de decepção. O que muitas das vezes nos fará questionar o por quê insistirmos em não fazer parte desta lógica, o por quê não aderirmos a este de modo de vida tão mais fácil e superficial, em detrimento da busca pelo conhecimento verdadeiro e sensível, mas que toma tempo (muito tempo).

É Alice, é difícil... Mas pelos menos a gente pode se gabar de - silenciosamente - nunca perder as esperanças. E de que nós nunca esquecemos que o presente de hoje, vai nos representar o passado do amanhã. É melhor estar atenta.

2 comments:

Unknown said...

você é persistente

Anonymous said...

Com essas suas palavras e seu jeitinho, não entendo por quê precisas ser tão atenta...