Sunday, April 27, 2008

Das borboletas - parte II

Ela diz que não está pronta. Ou que talvez tenha desistido.
Ela diz que não as quer por perto por um bom tempo.
E diz de peito estufado e boca cheia.
Mas quando saber que o momento chegou?!
Ela sabe que quando menos se espera as borboletas voltam ao seu estômago, como quem não quer nada, como que de passagem. Ela tenta disfarçar, finge não ser com ela ou que não passa de mais um dispositivo de seu inconsciente para amenizar uma carência latente ao seu peito. Pode ser que sim, pode ser que não.
Mas ela está muito mais prudente agora. É mais cautelosa e discreta também.
Sensível, sempre foi. E ela já sente que uma nova primavera se aproxima, em uma mistura de ansiedade e aflição. alegria e dor.certo e errado.
Ela prefere guardar tudo para si -como sempre-, fechada em seu resistente casulo. Despropositadamente e já não era tempo, este começa a rachar milimetricamente. Não há pressa, pois há medo e incerteza. Por mais serena que ela tenha se tornado, tem coisas que fogem ao seu controle. Lá vem, lá vem, lá vem.

Mas algo existe por certo: novas borboletas já passeiam pelo jardim.

1 comment:

Thaline said...

Jardim que cultivaste com esmero, cuidado, cautela. É por iso que as borboletas vieram, é por isso...

beijinhos.