O dia amanheceu frio. Minto, o dia continua frio desde a semana passada. A preguiça em levantar da cama é inevitável. Vontade de esticar (mais uma meia-hora que seja) na cama enrolada em cobertas e edredon e soterrada por travesseiros. Nem a cachorra que costuma acordar e educadamente vir me dar seu bom dia tinha acordado. Ai, como queria essa vida. Até eu entrar no ônibus, segue tudo no automático... café, banheiro, roupa, comida. Tudo sistematicamente (e previamente) arrumado para evitar o máximo que eu já comece o dia pensando. Ainda mais para pessoas que demoram tanto para acordar mentalmente como eu e que pela manhã (ou deveria dizer madrugada?!) encontram-se sob um humor acentuadamente instável.
Por mais que eu goste (ame) o frio, o dia está horroroso. Nublado e arriscando uns gotejos por essas bandas. Para variar, minhas mãos e meu nariz são os primeiros a acusar a queda de temperatura (pausa para comentário cultural: outro dia vi no Animal Planet que os gatos siameses tem o mesmo problema que o meu... só que ao contrário deles, eu não fico preta aonde sinto frio! Fico é roxa, isso sim! Rs). O vento gelado no rosto só faz piorar a situação, além de emaranhar todo o cabelo apressadamente penteado ao sair de casa.
Como chego muito cedo ao trabalho, consigo pegar uma ocasião rara: Faria Lima vazia. e nesse caminhar até o escritório parece que em cena daqueles filmes de suspense ou de ficcção em que o mundo acaba e só resta você de vida (semi) inteligente. Muitas vezes eu passo indiferente, mas em alguns dias bate um momento filosófico. Daqueles em que relativizamos tudo e que nos soa que não somos nada que mais um pontinho no infinito. Que nossos problemas não são mais que bobagens exageradas da nossa cabeça e de que algo realmente maior deveria existir. Não existe?! Eu sinceramente não sei... As vezes acredito que isso depende de cada um de nós. Mas sendo assim, como pode ser maior a todos nós!? É... isso facilmente pode evoluir para questionamento da existência e blablabla. Parece coisa de filosofia de padaria né?! Depois tem gente que não acredita quando eu digo que o ser humano é essecialmente místico. E que o misticismo é perigoso pois sempre beira o senso comum e crendices populares.
Misticismos a parte, essa é uma outra dicussão. Muita coisa passa pela minha cabeça nesses momentos de reflexão e solidão metropolitana. Dizem que já é doença crônica de paulistano. Ou angústia da vida moderna, que seja... Tem hora que bate um "peraí!". Qual o sentido de tudo isso?! Eu realmente sou feliz com isso o que faço e por que o faço?! Vou chegar aonde?!. Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu. A Rodaviva do dia-a-dia nos encolhe diante dessas perguntas e - ouçam o que digo, crianças - as respostas ou dicas que conseguimos desses momentos podem revelar muito sobre a gente, que nem imaginávamos conhecer. Pois atropelamos tudo. Rodamundo, rodagigante, rodamoinho, rodapião, o tempo rodou num instante as voltas do meu coração.
Essa conversa pede um cappuccino de avelã com chocolate. Um lugar aconchegante. Um sorriso amigo e calor humano.
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade pra lá
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