Sunday, July 13, 2008

Das primaveras - Post 100


foto: João Félix


Para mim, o tempo é relativo.

Sempre disse - e não me cansarei de defender esta tese - de que a beleza ou a importância das coisas não reside em quando ou por quanto tempo elas duram, mas sim na maneira e intensidades pelas quais as vivemos. Não tempo medo do tempo, e tampouco sou escrava dele. Por isso, renunciei ao uso de relógio há algum tempo.

Assim, sob o meu ver, nossas vidas não deveriam ser contadas em "anos" e sim, em "estações". Em momentos. Em fases. Bom, conhecendo o meu lado lírico-poético inerente a minha filosofia de vida, é obvio que eu escolho a primeira opção. Adoro pensar nas estações da minha vida... e mais uma vez, elas não duram 3 meses, como as costumeiras estações que conhecemos. Elas são atemporais. Começam e terminam quando eu bem julgar. Mas isso não impede que o paralelo entre elas seja feito. Vamos devagar.

Vivo em uma fase de primavera, acho que desde o começo do ano. Como se sabe, é precedida por outono e inverno. Fases de gestação, de criação, de desenvolvimento e amadurecimento para que posteriormente, haja a florescência (acho que já usei essa palavra aqui anteriormente). É na primavera que eu consigo ver tudo o que já fui capaz, se o caminho trilhado até então tem sido condizente a minha ética - acho que ainda não desenvolvi a minha idéia de ética, fica pra depois -, quais meus objetivos e em que tenho me transformado até então. Nunca esquecendo que toda borboleta é o símbolo mais brutal de metamorfoses. E o mais leve sinal de temperança.

E isso não depende só de mim. É claro que sou resultado das experiências que vivi, de pessos que encontrei, de sensações que experimentei e dificuldades que consegui transpor - ou não. Como todo ser humano, tenho defeitos e erros inumeráveis, mas que me fazem imprimir meu estilo e jeito próprio nas pessoas. Posso não ter agradado a todas, mas acredito que pude imprimir meu jeito de pensar e levar a vida em cada uma delas. Se isso as fizeram refletir, ótimo! É justamente o que eu quero... que as pessoas pensem e reflitam sobre si próprias e o mundo em que vivemos.

Ainda tenho muita coisa a fazer, a descobrir, a encontrar, a dividir e conquistar. Mas não tenho pressa, pois só a tem quem corre contra o tempo. E o tempo para mim, já disse, não é nada. Só vou encontrá-lo quando chegar o meu momento de ir, aí sim, o tempo irá me encontrar. Mas enquanto isso não acontece, prefiro que ele seja um observador. E não um motivo, ou um pretexto para me impedir de novas primaveras. O meu momento faço eu. Para vivê-lo intensamente e, no futuro, recordar das mais belas flores que colho a cada primavera.





Ah, esse é o centésimo post do blog! Espero que haja inspiração para diversas outras centenas. Obrigada pelo carinho, apoio, elogios, críticas e fidelidade de todos vocês, meu (virtuais, alguns) amigos leitores.

2 comments:

Anonymous said...

Parabéns pelo blog, e pelos cem posts. Muito lingo.

Gostei muito do texto, queria ser dono do meu proprio tempo, mas parece que vivo de fora, olhando ele passar.

Muito inspirador, até mais.^^

Anonymous said...

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